Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro

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UNIDOS NA DOR E NA FÉ

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UNIDOS NA DOR E NA FÉ

Uaracyr Sampaio Tavares*

No agradecimento às mercês que Deus nos tem distribuído, guiando-nos por estes anos todos, o que corresponde a um/quarto da existência da Polícia Civil, no Brasil, apelamos à sua força divina para todos que, arrostados pela vontade de servir ao próximo, ainda adolescentes, como nós, e são muitos, percorrem os caminhos escuros que só Ele tem a potencialidade de iluminar.

Ainda próximos à concessão de honrarias, que marcaram as comemorações pelos 200 anos da Polícia Civil, em espetáculo de rara beleza, que, dias antes, assistimos, na Alerj, sob a presidência do Deputado Jorge Picciani, seguido de seu par, Cel Jairo, presentes ainda o Chefe da Polícia Civil, Dr. Gilberto da Cruz Ribeiro, o Secretário de Segurança, Dr. José Mariano Beltrame, parlamentares, autoridades e pessoas de todas as classes sociais, surpreendeu-nos logo a seguir o noticiário amargo do infausto acontecimento que enlutou a todos nós, com a seguinte chamada: “ Executado delegado que combatia milícia ” (O Globo, edição de 19 de maio de 2008).

Seu nome: Alcides Iantorno.

Ainda sob o choque, instintivamente, talvez, guiados pela necessidade de afastar de pronto a súbita tristeza, nossa mente voltou-se para um passado não muito distante, precisamente, para o dia 18 de julho de 1990, quando, na abertura do seu programa diário, na Rádio Globo, no seu habitual “Bom Dia”, ouvimos o saudoso radialista Haroldo de Andrade reverenciar um guardião, querido por todos, que foi Jorge José Marques Sobrinho.

Eloqüente, como de hábito, o profissional da comunicação nos disse, como poucos, verdades incontestes, que retratamos, nos seguintes termos: “ quando um digno policial morre, depois de uma vida dedicada à profissão, não apenas a Polícia se veste de luto. Enlutada está a sociedade, que perdeu um de seus defensores ”.

Exceto a circunstância de que ambos, como todos os policiais civis, contribuíram para os nossos 200 Anos, é de perguntar-se o que há de comum entre um acontecimento e outro?

Jorge José Marques Sobrinho, após muitos feitos que lhe são atribuídos, morreu em serviço, no dia 17 de julho de 1990, poucas horas à libertação do empresário alemão Wolfgang Rudolf Prins e da prisão de seus seqüestradores, cuja solução rápida e eficiente muito engrandeceu a nossa Polícia. Matou-lhe a emoção, após 26 anos de serviços prestados à sociedade.

Recolhemos, época, o que sobre ele falou com muita propriedade o amigo de infância, Jorge Dória:

“...Sabia olhar para depois comentar. Sabia viver, sabia jogar. Pena que teu coração não agüentou tanta emoção. Bom que você partiu feliz com a tua própria vida. Até um dia amigo e vê lá o que aprontas no céu”.

Enviou-lhe ainda uma mensagem que nos concita à permanente reflexão, sobretudo na perturbação que ora vivemos:

“Mata-me coração bendito. Rasga-me de dor minhas veias céleres de vida. Aqueça-me no fogo da renúncia, comunicando minha partida. Leva-me como um sonho, mas deixa meu semblante ostentando felicidade plena, para que os amigos não percebam que também sofro com essa viagem. Acolhe-me Senhor mesmo com os meus erros, como prova de que meus acertos e virtudes se deram em razão do próximo. Leva-me para a morada de meus Pais, mortos na carne, vivos de espírito. Protegei os que ainda vivem, na franca garantia de que, aonde estiver, olharei por eles” (Dória, Jorge, Escrivão de Polícia,“Apologia do Infarto”, 17 de julho de 1990).

Alcides Iantorno nos deixa depois de 42 anos de inteira dedicação à sua causa, nessa bicentenária Instituição.

* Uaracyr Sampaio Tavares é Delegado de Polícia e ex-Subsecretário de Estado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

(clique no link abaixo para ler o texto na íntegra)

De Jorge Sobrinho, se disse que morrera o “arquivo vivo'. De Alcides Iantorno, “o cacique”, como carinhosamente chamavam-no os seus auxiliares, colegas policiais, em tributo ao seu tempo de serviço.

Embora diferentes as notícias, os fatos nos chocam em igual intensidade, porque representam perdas irreparáveis.

De comum, ambos amavam a sua profissão e mais do que tudo sabiam que tinham um dever a cumprir, no combate ao crime, em nossa defesa.

Jorge Sobrinho fez escola, na qual se engajaram profissionais de polícia de primeira linha, muitos dos quais admirados por nós, como os que, orgulhosamente, recepcionamos, nos idos de 1967, dentre outros, Alcides Iantorno e Rafik Louzada Aride, este, inclusive, seu amigo mais próximo.   Aliás, amigos e irmãos; irmãos e amigos e camaradas, tal como os poetas que alegraram a nossa juventude descreveram:

“ Você meu amigo de fé meu irmão camarada. Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas. Cabeça de homem mas coração de menino. Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada . Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro. Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro. O seu coração é uma casa de portas abertas. Amigo você é o mais certo das horas incertas. ... “ (“Amigo” - Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

Falávamos da coincidência que une dois dos nossos grandes, na medida em que, ainda que incansáveis, não eram dados à promoção de seus feitos, que são muitos, senão quando autorizados. Eram profissionais!

De igual modo, Alcides Iantorno morreu em serviço. Mais ainda, por força dele, do qual não se desligava, ainda que fora da repartição que dirigia, porque, como bem revelou sua discípula, a Delegado de Polícia, Valéria de Castro, que o considerava um pai, “um profissional extremamente correto e dedicado. Era o primeiro a chegar à delegacia e o último dela a sair”.

Tal qual seu paradigma, Alcides esteve à frente de múltiplas unidades policiais, especializadas, ou não, e administrativas, ao longo de sua fértil carreira. Enumerá-las seria correr o risco da omissão, quase sempre, imperdoável.

Resumidamente, sabe-se iniciado na 29ª DP – Madureira. Em nota da ACS da Polícia Civil, anotamos que, em 2000, como titular da DRF, enfrentou quadrilhas de assaltantes de banco, investigando e prendendo vigilantes neles envolvidos. Em 2002, à frente da 37ª DP – Ilha do Governador, não dando trégua à marginalidade, orientou as operações que levaram à prisão do traficante Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Em 2007, na 22º DP – Penha, conduziu a investigação sobre o envolvimento de policiais com a milícia na Favela Kelson's, resultando a prisão do traficante Romildo Souza da Costa, o Miltinho do Dendê. Sua última lotação foi na 20ª DP – Vila Isabel, quando a morte o colheu. Éramos seus circunscricionados, inclusive.

Sua morte trágica resultou da emboscada que lhe moveu o desafeto insano, por volta das 8h 15 m, do dia 18 de maio de 2008, no interior do Supermercado Zona Sul, no Recreio dos Bandeirantes, em cujo bairro residia, com um tiro na nuca e à queima-roupa.

O ato tresloucado foi atribuído a Alexandre Lins de Medeiros, 39 anos, ex-policial militar, morto, por volta do meio-dia do dia 20, em Rocha Miranda, em diligências policiais, anotando-se resistência à prisão. Curiosamente, o criminoso estava com as mesmas roupas usadas no dia do crime, o que muito facilitou a sua identificação, na imagem gravada no circuito interno de TV do referido supermercado.

Na mesma nota, lemos que o crime teria por motivo vingança do assassino movida contra a sua vítima, já que, em 2003, na direção da DRFC, o operoso policial o teria prendido, por envolvimento em ações delituosas.

Noticiou-se, ainda, que, em sua residência, teriam sido arrecadados recortes de jornais com as matérias da época de sua prisão, além de um bloco com nomes e dados de sua vítima e de outras pessoas, inclusive de uma mulher.

O traiçoeiro abateu-nos a todos, levando o Delegado de Polícia, Fernando Moraes, numa explosão, que é natural, a considerar “ que, quando um guardião da sociedade sofre um ataque desse tipo, toda a sociedade fica desprotegida ”.

Desprotegida, diz-se, porque aí é o próprio Estado que se vê atingido em seus pilares aos quais confere a pré-excludência de que nos falava o Dr. Eros de Moura Estevão, professor e diretor da Escola e Academia de Polícia deste Estado, na defesa ferrenha da lavratura do auto prévio a qualquer outro da persecutio criminis da fase policial.

Wladimir Reale, Presidente da Adepol/RJ, comovido, exprimiu o sentimento, bem dizer, de toda a classe policial:

O Delegado Alcides prestou um grande serviço no combate à criminalidade. É lamentável termos mais uma pessoa assassinada por razões profissionais. É claro que um crime como esse repercute de forma a gerar apreensão entre nós ”.

Registramos, agora, uma constante. Morre um policial, mulher e filhos choram a sua morte, sentindo-se todos enlutados, enfrentando a família, enfim, uma atroz burocracia para sobreviver, cujas dificuldades, como testemunhas, inspirou-nos, para minorar o sofrimento, a redigir o esboço do dispositivo, que, felizmente vingou, o qual, hoje, constitui o artigo 30 da Lei nº 3.586/2001, prevendo-se, ali, a concessão da pensão provisória de seus beneficiários, muitos, naquela ocasião, nas mãos de agiotas.

Nada obstante proposta aceita, na prática, tudo muito complexo, porque o seu cumprimento só se verificou, por ingerência, mesmo assim, decorridos alguns anos de lutas.

Fácil assim entender por que certas transformações só podem ocorrer à custa de demolições, por vezes, trabalhosas. É que o muro que as fundamenta, de rigidez quase colonial, talvez, medieval, tem que ser removido para que as réstias do sol esperançoso espraie sua luz sobre onde só existe a penumbra da descrença e do ceticismo.

Vem-nos, a juízo, a lembrança de que, no início de nossa carreira – éramos bem meninos -, tínhamos a impressão de que andávamos em rua de duas mãos, e não faltava quem imaginasse, nós, inclusive, depois, que, ao contrário de tudo, cuida-se, apenas, de um beco escuro, cujo caminho de volta sequer, existe.

É o mesmo beco de que falava o mestre Fernando Bastos Ribeiro. Um velho beco de construções pesadas e ameaçadoras, projetando de seus umbrais soturnos sombras agourentas sobre os transeuntes. Estes somos nós, prisioneiros da opinião. No meio a tanto perigo, só Deus é capaz de explicar esta opção. Profissão de fé !

Resta-nos idear que, para alguns, e são poucos, vivemos insulados socialmente e apartados como casta, isto porque ignoram que muitos foram os que zelaram por esta mesma sociedade, transmitindo seus conhecimentos aos que vieram depois. Verdadeiras colunas.

Por isso, convencemo-nos desde cedo não haver, no mundo, nenhuma instituição mais aberta, mais exposta, mais cobrada, mais atacada, mais observada, por todos, por nós próprios, como, também, nenhuma outra é mais conhecida na multiplicidade de seus aspectos e facetas. Integrada de homens, tem seus erros e acertos, estes, por sinal, infinitamente bem maiores.

Conforta-nos saber que não somos os únicos mortais a crer que não há ordem jurídica que conserve o seu perfeito equilíbrio nem ideal humano que se expanda soberano sobre a terra sem este poderoso instrumento de defesa social.

Dignifiquem-se as corporações, expurguem-se os defeitos e suas necessidades para elevá-las à altura de sua missão majestosa, tanto mais convictos os policiais do nosso tempo de não ser mais caminho reto pecar por excesso de importância, porque, de há muito, estamos longe das amarras do improviso e do amadorismo.

Educar e conter pruridos de mando inatacável, de modo a comprometer a obrigação de acatar e respeitar a lei, o que deve ser exigido a todos.

O instituto de polícia que pode ser o protótipo para o mundo se deve, somente, à sabedoria de uma nação, ao espírito de disciplina e de organização de sua inteligente comunidade, em sua maioria. Isto nós possuímos, sem dúvida.

O que não se pode ignorar, sob pena de perder-se a identidade, é que somos forjados na própria sociedade a que servimos. Na máxima de Ives Guyot, “cada povo tem a polícia que merece”.

Não basta, pois, indagar-se se esta é a polícia que queremos, posto ser a sociedade com os seus costumes que muda, evolui, de regra, assentada na experiência dos antigos, tal como aconteceu nos países mais desenvolvidos, cujas polícias, no passado, atravessaram os nossos estágios, ou piores.

Os modelos internacionais prestam-se, sem dúvida, exigindo cautela, porém, porque não conhecem ou negam nossos guetos, movongos, favelas, tendas, mocambos, bibocas, vielas...

Aplauda-se a distinção que se tem dispensado aos segmentos policiais da União, e do Distrito Federal, em perfeita consonância com os ditames da Carta de 1988, o que os Estados devem seguir, pena de uma frustração nacional, máxime quando se tem em mente que a Carta é para todos.

Na mudança de hábitos e costumes, pode parecer um paradoxo a alguns, porém, desavisados, porque não há como irrelevar, nesta luta, o papel preponderante que exerce a imprensa livre do nosso país, no exercício de sua proeminente função de informar e formar opinião, criticando, por vezes, nossas más ações, o que dá ensejo à correção dos rumos desviados. Isto ajuda e muito, inobstante algumas injustiças até possam ser praticadas, em exceção.

No apelo que se promove, que venha, portanto, a lei orgânica nacional, com seus princípios gerais, inclusive a do nosso Estado, livre de perplexidade, para o fortalecimento do seu aparelho de defesa, estimulando a procura de novos valores, mantendo-os em suas fileiras, porque, muitos, embora vocacionados e os ame, dele se afastam em busca de melhores condições que o sistema atual não garante.

Esta visão inspira-nos ao reconhecimento de não ser por mera coincidência que a função de assegurar a ordem, manter a paz, acautelar a tranqüilidade, evitar o crime, tornando possível a coexistência harmônica que enseja o progresso e traz a felicidade se chama polícia.

Quem a faz, deve fazê-lo, como nos exemplos de Alcides e Jorge Sobrinho, e de muitos outros que o espaço não permite citar, com devotamento e amor, empregando as próprias energias nesta tarefa, nem sempre bem compreendida, para poder proporcionar a todos o clima necessário à evolução, ao aperfeiçoamento e à ventura individual e coletiva, nunca ignorando como é árduo o cometimento e pesado o encargo.

Serve, ainda, para demonstrar que, se da adversidade dos homens fosse a regra a criação de uma só mentalidade, o mundo seria muito melhor, havendo nele lugar para todos e também para os policiais.

Em 1972, a emérita educadora e, hoje, membro do MP/RJ, legou-nos páginas, que, talvez, em alguns casos, se nos apliquem:

“... A Polícia não possui outros senhores. Só serve ao seu amo. Por isso, não cuida de riquezas e é pobre e humilde. Seu ambiente é quase sempre modesto, poucas vezes confortável e jamais luxuoso. Chão apodrecido de velhos pardieiros, onde ratos passeiam ou ladrilhos frios a lembrar necrotério. Obsoletos e gastos móveis. Iluminação parca e amarelenta. Trajes vulgares: o blusão de tricoline desbotada, a japona de casimira ordinária ou de couro sintético e só o terno completo, quando imposto sob a ameaça de punição, pois nele a gravata é convite a estrangulamentos ...”

Na desgraça está sempre presente, no crime, no fato anti-social, no desastre, no incêndio ou na inundação.

“ O crime a salpica de sangue. A personalidade anormal e viscosa do criminoso a envolve, sua grosseira gíria a contagia, sua fala inculta se lhe transmite. O cheiro pútrido dos cadáveres adere à sua pele, o odor adocicado da maconha a intoxica, a prostituição a conscurpa, o fogo a incendia, a inundação a inunda”. Está sempre presente na hora da alegria e do entretenimento geral, mas nisso e não participa. No Natal e Ano Novo, ela não ceia com a família: vigia, na rua, as conseqüências das ceias de todas as famílias. No Carnaval, não samba nem bebe: mas, no clube, austera e engravatada, e, na rua, cuida da segurança dos que sambam e bebem. Na festa da Independência, ela não pode assistir a paradas... Em Finados, nem tem tempo para chorar os seus ...”

Não dorme nunca. Nem pode. Cão fiel a velar o sono da Sociedade:

“Traz sempre os olhos vermelhos e a expressão desfeita das noites indormidas. Em suas viaturas, percorre ruas sonolentas. Às portas dos restaurantes, boates e clubes, onde todos, em aquecido convívio, bebem, dançam e amam, ela sofre a algidez, a fome e a solidão da noite interminável...”

E os criminosos! Hoje, bem mais perversos do que os de ontem, homicidas, traficantes estupradores e, além de tudo, trapaceiros e fraudulentos:

“sentindo na Polícia o obstáculo efetivo e atual a seus torpes propósitos, nutre-lhe violento ódio; e a teme, pois vê em sua atuação a positiva e imediata ameaça da pena; e, no desespero de escapar a essa pena, e, muitas vezes mais bem armado e equipado do que ela, enfrenta-a, reage.”

E, quando não o faz de imediato, reagindo, mais por impossibilidade, dia, menos dia, a tocaia, a embosca.

Alcides é um típico caso. Certamente, jamais será esquecido, porque muitos são os seus seguidores, entre os quais seu filho, Alcides Iantorno Filho, nosso colega, ao qual remetemos as condolências, extensivas à família.

Infelizmente, a despedida nasce da dor e do adeus. Silvio Terra disse que Isaias, como Clemenceau, esse impoluto cidadão para quem nihil preferendum honestitati , poderia ter sido sepultado de pé (Arquivos, mar. 1945).

Compreendemos melhor agora porque o mestre Eraldo Gomes, quando Secretário da Polícia Civil, um homem reconhecidamente de fibra, com as lágrimas que os vídeos mostraram, nos comoveu e nos comove lembrar, como quando anunciou a morte de Marques Sobrinho, o que nos é muito próprio na perda de um homem de polícia, de qualquer instância, e são muitos que guardamos com pesar, na memória. Meu pai, por exemplo, um policial militar, que sequer conheci, tragado, como tal, aos 19 anos (!)

Alcides Iantorno, neste instante, falamos a você: todos sentimos e sofremos com a sua morte, telúrico e estremecimento, porque foste uma das colunas sadias sobre as quais se ergue o edifício da reputação, justo orgulho de todos nós, que perdermos com sua imersão.

No procedimento investigatório, estávamos certos, cultivava a informação em bases racionais. O chefe Mario César da Silva, com certeza, diria que era o antídoto para a vocação policial aventureira que, não raro, conduz à deformação profissional.

Ao contrário, brilhante e operoso quão discreto e leal, o que, para tudo contribuiu, e muito, sua vivência cartorária, cujos conhecimentos, hauridos em boa escola, emprestava à investigação. Você está em nossa história !

Sua morte prematura é também o resultado de uma dedicação indormida pelas obrigações do cargo, sabido que, para os homens de sua formação, o trabalho é algo sagrado, daí ascender e alçar-se ao infinito, para um outro roteiro, onde lá estarão à sua espera, como um Grande, os nossos amigos guardiões com os quais convivemos e sucedemos, preparando-lhe o encontro com o Senhor de tudo e de todos !

Missão cumprida, irmão de fé ! Siga em paz !

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* Uaracyr Sampaio Tavares é Delegado de Polícia e ex-Subsecretário de Estado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

 

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